Confraria do Santíssimo Sacramento

Perde-se no tempo as origens da Confraria do Santíssimo Sacramento chegando até nós um livro de notas/atas que dizem respeito ao período entre 1640 e 1645. Segundo o que está escrito logo na primeira página: «Este livro he das emleiçois e da receita e despezas da Confraria do Santissimo Sacramento e tem sento e corenta e quatro meas folhas todas asinadas e anumeradas por Francisco Aires, reitor da dita confraria do anno de mill e seis sentos e corenta annos. Aos vinte dias do mês de Maio do dito anno e tem duas meas folhas do numero de noventa que foi erro».

Se tivermos em linha de conta que, em qualquer região do país, a seguir à Misericórdia, a Confraria do Santíssimo era a que detinha mais poder. Consultando mais detalhadamente o documento, podemos observar que as reuniões decorriam habitualmente na igreja matriz de Pedrógão do Priorado (nome adotado para a vila neste período) e sempre com a presença do padre da altura – ficamos a saber que em 1640 o vigário era António Gomes.

Nas eleições para o biénio de 1640/1641 foram eleitos Manuel Fernandes (que já ocupava as funções de escrivão da Câmara de Pedrógão) para reitor, Simão Antunes para o lugar de tesoureiro e António Freire Jorge para escrivão. Entre os nomes que se apresentaram a estas eleições, podemos destacar o Padre Manuel Nunes, Francisco Seizam, Manuel Mendes, António Dias, Domingos de Figueiredo, Álvaro da Casa, Domingos Antunes, António Domingues ou Gualter André.

Em maio de 1641, o tesoureiro Simão Antunes apresentou as contas daquele ano, que produziram uma receita de 19.076 réis e uma despesa de 16.595 réis. O saldo foi positivo em 2.481 réis. No mês de junho de 1641, decorreram as eleições para o biénio de 1641/1642 e onde são eleitos: Padre Manuel Nunes (reitor), Diogo Jorge (tesoureiro), Cristóvão Domingos (mordomo) e Manuel Mendes Fernandes (escrivão).

Para o biénio 1642/1643 é eleito António de Queirós para reitor, um apelido que parece começar a ganhar ascendente com a restauração da independência em Pedrógão Pequeno. Já Domingos de Figueiredo é eleito reitor no biénio 1643/1644.

Até final do século XIX, as confrarias tiveram um papel preponderante sobretudo na organização das festividades religiosas que ocorriam na Freguesia, além da Confraria do Santíssimo existiam na Freguesia as seguintes Confrarias: S. Sebastião, Sra. do Rosário, Nª. Sra. da Confiança, Santo António, S. Vicente Ferrer, S. João, de Nª. Sra. das Águas Feras.

Durante longos anos, esta instituição teve a seu cargo a organização das cerimónias da semana santa, e uma participação bastante ativa na grande maioria das manifestações religiosas da freguesia.

Entre 1881 e 1884 esta confraria teve como reitor José Januário Conceição e Silva. Da análise dos relatórios de contas da confraria nestes anos, ressalta como principal atividade a organização das cerimónias dos Passos e Semana Santa, entre 1884 e 1886 foi reitor José Custódio Martins Vidigal.

Apesar de nas últimas décadas ter tido uma atividade mais reduzida sobretudo devido ao escasso número de “irmãos”, nos últimos tempos recuperou algum fulgor e aumentou substancialmente este número, contando atualmente com 36 “irmãos”.