LENDA DA CAPELA DE Nª SRª DA CONFIANÇA

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Conta-se que na época dos templários, cujo pousio em Pedrógão Pequeno era a antiga igreja de Nossa Senhora das Águas-Feras (pertença de um antigo convento hoje desaparecido), havia sido acusado um nobre fidalgo por um delito que não cometera.

Preso, foi conduzido para o Convento de Cristo, em Tomar, também dos Templários, onde injustamente foi condenado à morte pelas leis inflexíveis dos homens daquela época.

Passaram por Pedrógão Pequeno onde descansaram, tendo o preso sido encerrado na cadeia da Vila.

Na sua cela, e entenebrecido pelo desalento, a alma do pobre fidalgo debatia-se com a mais atroz dor.

Em tal acabrunhamento rezou à Virgem, e nas suas orações encontrou alívio.

Foi assim que, na escuridão da sua masmorra, e entreabrindo os olhos cansados, viu, através duma fresta, um esplendoroso monte com enormes pedregulhos de granito, todo revestido da mais exuberante vegetação em plena Primavera.

Deste modo renasceu no seu íntimo a ideia de liberdade que tão barbaramente lhe subtraíram e num transe de desespero, elevou a sua alma ao céu cheio de ardorosa fé, entregando-se em profunda oração à Virgem em quem depositou toda a sua confiança.

No auge da sua prece, quando a sua fé vibrava com intensidade, visionou, resplandecente, como que espargindo uma suavizadora, a Virgem Santa  que surgiu do alto do monte, aproximando-se tão brandamente, que reflectiu no pobre condenado, um bálsamo consolador.

Era o prenúncio da sua liberdade.

De facto, foi-lhe reconhecida a sua inocência. Liberto e feliz, não esqueceu porém, a Virgem, que tanta confiança lhe incutira, nos terríveis transes por que havia passado.

Como sinal do maior reconhecimento, mandou construir no alto do monte da aparição da Virgem, no lugar onde hoje se encontra a actual capela, um pequeno templo, promovendo celebrações religiosas em acção de graças e atestando aos vindouros o poder divino.