Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Pequeno

A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Pequeno terá ocorrido entre os anos de 1570 e 1578 durante o reinado de D. Sebastião, que autorizou a sua criação, altura em que foi também anexado o hospital que já existia nesta Vila desde finais do século XV.

Pouco se conhece sobre os seus os seus primeiros anos de história. Sabemos que em 1711 o provedor era Manuel Queirós de Andrade e que nesta altura já existia a “casa do capítulo” que funcionava como edifício sede e a capela da Misericórdia que tinha como capelão Padre Domingos Arnauth.

A administração terá decorrido sem percalços até final do século XVIII, altura em que atravessou alguns problemas financeiros que obrigaram a uma redução drástica da atividade chegando a estar em causa a sua sobrevivência.

A revolução liberal de 1834 que deixou marcas profundas em Pedrógão Pequeno sobretudo devido e extinção do Concelho, também teve os seus reflexos nesta instituição que viveu um período difícil até 1840, em 17 de maio de 1840 tomou posse uma comissão administrativa nomeada pelo Governo Civil e liderada por Francisco José Nunes Marinha, dando início a um período de reorganização.

No final da década de 1940 foi demolida a “casa do capítulo” edifício que lhe servia de sede, para se realizar o alargamento da praça Ângelo Henriques Vidigal.

Em 1963 foi criada uma comissão para a construção das novas instalações do hospital que seria construído junto a Quinta da Rocha, mas este projeto nunca se concretizou.

Durante alguns séculos esta foi talvez a mais importante instituição desta Vila, tendo desempenhado um papel vital durante a sua existência, quer pela assistência médica prestada pelo seu hospital, pois, aqui acorriam em situações de enfermidade os habitantes da Freguesia e, também das freguesias vizinhas.

As esmolas que atribuíam mensalmente, aos mais carenciados eram, igualmente, fundamentais para que estes pudessem sobreviver com um pouco mais de dignidade em tempos em que a terra era pertença de “meia dúzia”.

Concedia, ainda, empréstimos revertendo as receitas provenientes dos juros para investir na vertente social, para a qual estava vocacionada.

Depois do 25 de abril a instituição entrou numa situação bastante aflitiva, mas após uma intervenção do Governo, a Misericórdia recuperou a sua autonomia, apesar de ter ficado obrigada a legalizar a sua situação junto da União das Misericórdias Portuguesas e a rever os seus estatutos.

Mas nada disso aconteceu, acabando por entrar em colapso por volta de 1985, altura em que o posto médico que funcionava nas instalações do hospital encerrou. Em 1992 foi criada uma comissão que tinha como objetivo reativar a instituição, mas nada se conseguiu.

Em dezembro de 2015 D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre – Castelo Branco emitiu uma Provisão em que nomeia, por um ano, com plenos poderes, uma comissão administrativa para a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Pequeno, constituída por: Padre José António da Cruz Afonso, Hugo Gabriel André Martins, Noé Fernandes Antunes, Maria Ludovina da Silva Fernandes, António Ramos da Costa.

Esta comissão terá a seu cargo a missão de voltar a colocar esta instituição de novo a funcionar, renovar os estatutos, organizar uma lista de “irmãos”, inventariar os bens da instituição e dar andamento as obras necessárias para a recuperação do antigo Hospital e eleger órgãos sociais até dezembro de 2016.

Tendo-se já realizado a primeira fase de limpeza do edifício do Antigo Hospital da Misericórdia nos meses de janeiro e fevereiro de 2016.